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O que são imunossupressores e por que são usados na Reumatologia?

Foto do escritor: Rebeca Narcisa
Rebeca Narcisa
11 de set.
3 min de leitura

Desde a metade do século passado, os imunossupressores são utilizados no tratamento de várias doenças reumatológicas. Contudo, você sabe o que é um imunossupressor?


O objetivo deste texto é esclarecer o que é um imunossupressor, por que eles são utilizados nas doenças reumatológicas e quem são eles.


Frascos de tocilizumabe

O que são os imunossupressores?


Um imunossupressor é um medicamento capaz de reduzir a atividade do sistema imune. Seu uso não é restrito à Reumatologia; pelo contrário, eles são utilizados em várias outras especialidades, como, por exemplo, no tratamento de câncer e nos pacientes transplantados, visando impedir a rejeição do órgão transplantado.


Por que esses medicamentos são utilizados na Reumatologia?


O sistema imune é altamente complexo e especializado, por isso mesmo pequenas alterações podem resultar em um desequilíbrio do seu funcionamento e, consequentemente, levar ao desenvolvimento de doenças. Diversas doenças reumatológicas ocorrem justamente por esse desequilíbrio, resultando em maior atividade do sistema imune seguida por inflamação, com dano a estruturas essenciais para o funcionamento de nosso organismo. Por isso, os imunossupressores são utilizados no tratamento dessas doenças com o objetivo de controlar a inflamação e cessar a atividade da doença.


Caso queira saber mais sobre o sistema imune e o que são as doenças autoimunes, leia o artigo O que é uma doença autoimune?.


Esses medicamentos podem interferir no sistema imune de múltiplas formas; logo, essa é uma área onde a pesquisa e a inovação são essenciais, permitindo o melhor conhecimento das doenças para desenvolvimento de novos mecanismos cada vez mais eficazes.


Como eles são classificados? Quais as diferenças entre os grupos?


Ao longo do seu desenvolvimento, os imunossupressores foram classificados em sintéticos e terapias avançadas.


Os sintéticos são medicamentos mais antigos, com os primeiros representantes datando da metade do século passado. Apesar de estarem sob a mesma classe, eles possuem mecanismos de atuação distintos. Entretanto, um elemento comum entre os seus mecanismos é a sua abrangência de ação. Com isso, esses medicamentos costumam ser utilizados em várias doenças. Por outro lado, sua efetividade pode ser reduzida, já que não atuam em um mecanismo específico associado a um grupo de doenças.

  • Exemplos de sintéticos incluem: Ciclosporina, Metotrexato, Sulfassalazina, Leflunomida e Micofenolato.


A terapia avançada também é composta por medicamentos com mecanismos distintos, mas eles possuem em comum sua especificidade, ou seja, é conhecido exatamente onde atuam, por mais que todas as consequências de sua ação possam não ser conhecidas. São medicamentos mais recentes e que vêm sendo produzidos de forma intensiva desde o fim dos anos 90.

  • Alguns exemplos de terapia avançada são: Adalimumabe, Rituximabe, Tocilizumabe, Abatacepte e Tofacitinibe.


Caso queira saber mais sobre a história dos imunossupressores na Reumatologia, leia o artigo Do sal de ouro aos biológicos: a evolução dos imunossupressores.


Uma grande e importante diferença entre os grupos é o custo. As terapias avançadas são muito mais caras justamente por serem frutos de uma cadeia de produção e pesquisa muito mais complexa (e cara).


Quais são as terapias avançadas?


Atualmente, os dois principais grupos de terapias avançadas são os biológicos e a terapia-alvo.


Os biológicos são moléculas, muitas delas anticorpos, direcionadas contra alvos específicos envolvidos no processo de desenvolvimento e/ou atividade das doenças reumatológicas. Os alvos são diversos e justificam por que esses medicamentos têm um uso restrito a um número menor de doenças.


A terapia-alvo também é composta por moléculas contra alvos específicos. O principal representante desse grupo são os inibidores da JAK. As JAK são enzimas, ou seja, proteínas sinalizadoras que atuam dentro das nossas células, indicando a produção de citocinas. Por sua vez, as citocinas são moléculas essenciais na cascata inflamatória. Logo, ao inibir uma JAK, inibe-se a produção de citocinas e a cascata inflamatória é interrompida.

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Reumatologista

Rebeca Narcisa de Carvalho

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