Medicamentos biológicos: o que são e por que são tão caros?
Como abordado anteriormente em Do sal de ouro aos biológicos: a evolução dos imunossupressores, os os biológicos passaram a ser utilizados a partir do fim da década de 90 e rapidamente se tornaram protagonistas no tratamento de várias doenças.

O que são os medicamentos biológicos?
Os biológicos são medicamentos imunossupressores fabricados em uma complexa cadeia de produção e que têm como alvos estruturas muito específicas do sistema imune. Em sua maioria, são anticorpos ou fragmentos de anticorpos e, por isso, apresentam essa especificidade de ligação a estruturas. O seu desenvolvimento só foi possível através do crescimento do conhecimento com relação aos mecanismos envolvidos no desenvolvimento das doenças e pelos avanços na engenharia molecular.
Por que são tão caros?
Se você já teve contato com um medicamento biológico, provavelmente sabe que eles são bem caros. O preço é fruto da sua complexidade de desenvolvimento e de produção. Primeiramente, é estimado que o valor investido por uma empresa farmacêutica para que haja o desenvolvimento e a aprovação bem-sucedida de um biológico é de cerca de 1 a 3 bilhões de dólares.
Após o desenvolvimento do fármaco, ele tem que ser produzido em uma fábrica. Esse é um outro ponto que exige um grande investimento, pois a fabricação desses medicamentos exige alta tecnologia, logo os custos de infraestrutura e de produção também são altos. Estima-se que uma fábrica custe em torno de 125-500 milhões de dólares para ser construída e que a produção de cada grama do produto custe cerca de 60-120 dólares. Logo, o preço final para o consumidor é alto. Obviamente, grandes compradores como governos ou planos de saúde conseguem comprar esses medicamentos a um menor custo por comprarem grandes quantidades.
Ao longo do tempo há a quebra da patente, o que barateia o produto pela maior competição, mas não tanto quanto vemos em outras situações, pois a cadeia de produção ainda é muito cara quando comparada com outros medicamentos, como os anti-hipertensivos ou antidepressivos.
Se são tão caros, por que ainda são utilizados?
O mecanismo de ação mais específico e cada vez mais direcionado a pontos sabidamente associados com o desenvolvimento de determinada doença permite que eles tenham uma maior chance de sucesso no tratamento.
Um outro benefício em potencial é que os efeitos adversos são mais previsíveis justamente pelo maior conhecimento quanto ao seu local de ação. Por outro lado, é importante ressaltar que eles ainda são imunossupressores, então seu uso também representa uma elevação no risco de infecção.
Também é importante lembrar que o desenvolvimento dos biológicos não excluiu o uso dos medicamentos sintéticos, que continuam tendo um papel no tratamento de várias doenças. Caso queira saber o que são os sintéticos, leia o artigo [[LINK]].
Vários biológicos já foram liberados para o tratamento de diversas doenças no Sistema Único de Saúde (SUS) e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O processo de liberação é um tanto complexo e burocrático, além de envolver múltiplas análises de custo-efetividade, o que pode ser dificultado pela ausência de grandes pesquisas por se tratarem de doenças raras. Toda essa burocracia pode tornar esse processo lento, o que explica por que esses medicamentos podem demorar vários anos para serem liberados.
Referências
As estimativas de custo foram realizadas com auxílio dos seguintes artigos:
Wouters OJ, McKee M, Luyten J. Estimated Research and Development Investment Needed to Bring a New Medicine to Market, 2009-2018. JAMA [Internet]. 2020 Mar 3;323(9):844. LINK
Erickson J, Baker J, Barrett S, Brady C, Brower M, Carbonell R, et al. End‐to‐end collaboration to transform biopharmaceutical development and manufacturing. Biotechnology and Bioengineering. 2021 Feb 2;118(9):3302–12. LINK
Caso queira saber como funciona a produção dos biológicos em detalhes, clique aqui. O artigo original está em inglês, mas pode ser traduzido com auxílio do Google Tradutor.




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