top of page

Causas da artrite reumatoide: fatores de risco e como a doença se origina

Foto do escritor: Rebeca Narcisa
Rebeca Narcisa
2 de out.
3 min de leitura

No artigo Principais mecanismos e causas de artrite, expliquei o que é artrite e quais são seus principais mecanismos causadores. Neste artigo, abordarei as origens e causas da artrite reumatoide, uma das doenças mais prevalentes da Reumatologia e a representante clássica do mecanismo autoimune como responsável pelo desenvolvimento de artrite. Lembrando que a autoimunidade ocorre quando o nosso próprio sistema imune ataca estruturas do nosso corpo. Caso queira saber mais leia o artigo O que é uma doença autoimune?.


Quem são as pessoas com artrite reumatoide?


A doença é mais comum em mulheres, na proporção de 3:1, ou seja, para cada três mulheres acometidas, há um homem doente. O predomínio feminino não é incomum nas doenças autoimunes. Apesar de não se saber exatamente a razão, acredita-se que esteja associado ao papel dos hormônios femininos ou de genes localizados no cromossomo X que atuam no sistema imune.


Com relação à idade, a artrite reumatoide tem maior frequência entre 30 e 50 anos. Entretanto, alguns estudos recentes têm demonstrado uma tendência de crescimento do diagnóstico após os 60 anos, refletindo a maior expectativa de vida e possivelmente a redução do diagnóstico em indivíduos mais jovens.


Estima-se que cerca de 0,5 a 1% da população mundial tenha a doença, com grande variação entre as fontes e as regiões. No Brasil, a estimativa é de 0,2 a 1%, porém também há variações regionais importantes.


Quais são os fatores que aumentam o risco de ter a doença?


Os fatores de risco para o desenvolvimento da artrite reumatoide podem ser divididos em genéticos e ambientais.


A carga genética responde por aproximadamente 50 a 60% do risco de desenvolver a doença, segundo estimativas de estudos de herdabilidade (familiares e gêmeos). Dentro dessa carga, a região HLA (principalmente o gene HLA-DRB1) é o fator isolado mais importante. Estudos com familiares de pessoas com artrite reumatoide estimam que ter um parente de primeiro grau (filho, irmão ou pais) com a doença aumenta o risco individual em 3 a 5 vezes. É importante ressaltar que, mesmo nesses casos, o risco ainda é baixo, pois se trata de uma enfermidade pouco frequente.


Com relação aos fatores ambientais, o destaque é o tabagismo. O risco aumenta de forma gradual conforme o tempo e a intensidade do tabagismo. Em geral, tabagistas apresentam risco 2 a 3 vezes maior de ter a doença, mas em pessoas geneticamente suscetíveis esse risco pode chegar a 20 vezes.


Cigarro aceso, principal fator de risco ambiental da artrite reumatoide

Outros fatores ambientais incluem a exposição à sílica, a doença periodontal, a obesidade e a disbiose do microbioma (intestinal, oral e pulmonar).


A exposição à sílica é mais frequente nos trabalhos que cortam, perfuram ou lixam rochas, areia, concreto e pedras artificiais, especialmente quando há uso inadequado dos equipamentos de proteção individual.


O papel da doença periodontal e da disbiose microbiana está associado à inflamação secundária à alteração na composição das bactérias que habitualmente residem nas nossas mucosas.


Como a artrite reumatoide se desenvolve?


É importante ter em mente que os fatores de risco ambientais e genéticos não atuam isoladamente, e sim interagem, promovendo um aumento no risco da doença. Como isso ocorre ainda não é totalmente conhecido, contudo há uma noção geral do processo.


Acredita-se que essa interação entre os fatores de risco promova a modificação de proteínas no nosso corpo, especialmente nas nossas "portas de entrada", como as mucosas dos tratos gastrointestinal e respiratório. Em algumas pessoas, há o desenvolvimento de anticorpos contra essas proteínas modificadas. Esses dois processos são facilitados pelos fatores ambientais e genéticos e ocorrem anos antes das manifestações da doença em si.


O início das manifestações depende da ocorrência de um ou mais gatilhos que não são completamente explicados. Uma das teorias é que possam se tratar de pequenos traumas nas articulações. Apenas após esse gatilho é que se inicia o processo inflamatório e, consequentemente, surgem os sintomas.


O processo inflamatório é crônico e se perpetua na ausência de tratamento, provocando inicialmente inflamação da articulação e, com o tempo, evoluindo com destruição da articulação e de estruturas ao redor, como ossos e tendões, reduzindo de forma relevante a funcionalidade. Nas últimas décadas, o desenvolvimento de medicamentos promoveu uma modificação importante na evolução natural da doença.


Nos próximos artigos, abordarei as manifestações, o diagnóstico e o tratamento da artrite reumatoide.



Referências


A referência abaixo é uma revisão publicada em 2026 que tem como público-alvo profissionais da área da saúde.

  • Smolen JS, Kerschbaumer A, Aletaha D, Robinson WH. Rheumatoid Arthritis in Adults: A Review. JAMA [Internet]. 2026 Set 10.


Já no site do departamento de artrite da Universidade Johns Hopkins há um artigo que explica em um nível de complexidade maior o processo de desenvolvimento da artrite reumatoide. O link abaixo já foi traduzido com auxílio do Google Tradutor.

  • Johns Hopkins Arthritis Center. RA pathophysiology [Internet]. Johns Hopkins Arthritis Center. 2025. LINK

Comentários


Reumatologista

Rebeca Narcisa de Carvalho

CRM 87752/MG - RQE 70595

Localização

Clínica Olá Saúde

Av. Sinfrônio Brochado, 1400 Barreiro, Belo Horizonte - MG

Whatsapp: (31) 99568-7097

Tel: (31) 2526-7070

Clínica Centra

Rua Inconfidência, 488

3º Andar - Sala 301

Centro, Betim - MG

Whatsapp: (31) 99334-6457

Tel: (31) 2571-2103

Tel: (31) 2523-1111

© 2026 por Rebeca Narcisa de Carvalho. Powered and secured by Wix

bottom of page